Conhecendo e desmistificando a UTI Neurológica

Por Dra. Viviane Cordeiro Veiga e Dr. Salomón Soriano Ordinola Rojas

Inúmeros mitos envolvem a internação em terapia intensiva. A UTI é um ambiente de vida, não de morte como há tempos se pensava. Também não é um local de isolamento do paciente, onde o contato com a família torna-se restrito a poucos minutos do dia. Hoje, a UTI está se transformando e cada vez mais tornando-se humanizada. Em muitos hospitais, a família já participa de forma integral de todo o processo do cuidado, permanecendo na UTI boa parte do tempo, além dos ambientes serem mais acolhedores, com janelas, relógios e TVs compartilhando o mesmo espaço dos aparelhos de monitorização.

Sabe-se que essas modificações estão relacionadas a melhores resultados, com redução de agitação e delirium e facilitação da comunicação entre a equipe assistencial e a família.

 

E o paciente neurológico?

 

Sabemos que no paciente neurológico, o tratamento realizado de forma rápida e por uma equipe treinada, apresenta menos risco de morte e sequelas. Cada vez mais, hospitais têm criado unidades especializadas para atendimento a estes pacientes. No ano passado, foi publicada uma recomendação da Sociedade Americana de Terapia intensiva, que sugere que pacientes neurológicos, principalmente com acidente vascular cerebral sejam internados em UTI especializada para este tipo de paciente.

Atendimentos como o acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico (popularmente conhecido como “derrame”), traumas de crânio e o pós-operatório de neurocirurgia demandam alta capacitação de toda a equipe multiprofissional. Não só médicos, mas enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais são alguns dos profissionais que compõem o “time” necessário para garantir uma recuperação melhor e mais rápida.

Muitas vezes, o paciente neurológico desenvolve sequelas por lesões chamadas “secundárias”, que ocorrem não pelo motivo que o levou à UTI mas por outras causas como falta de oxigênio ou queda da pressão arterial. Então, é importante que toda a equipe esteja treinada e atenta para redução destes riscos. Fundamental também neste grupo de pacientes, atentar-se a todo o processo de reabilitação, que deve ser iniciado de forma precoce, ainda com o paciente na UTI.

Campanha recém-lançada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), descreve muito bem o trabalho da terapia intensiva, onde toda a equipe é treinada para atuar na manutenção da vida, acompanhar todos os detalhes da evolução do paciente e isso só é possível, pois esse grupo de profissionais tem UM AMOR INTENSO PELA VIDA.